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Única mulher brasileira na produção de "Moana" conta como chegou à Disney

Em 07/01/2017 às 14h32


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Natalia Freitas é pioneira em vários aspectos. Única mulher entre os oito artistas brasileiros que trabalharam na equipe de "Moana", a mais nova animação da Disney, ela superou muitos obstáculos até chegar a um dos estúdios mais cobiçados do mundo.

O primeiro deles foi na vida pessoal, quando ainda bem jovem perdeu os pais e encontrou na arte uma forma de se expressar e se apoiar. A menina nascida em Belo Horizonte cresceu, quebrou estereótipos e conseguiu o trabalho que sonhava em um mercado dominado por homens.

"A última mensagem que aprendi com minha mãe foi: 'tenha uma carreira, tenha sua independência e siga seu sonho'. Por isso tenho muito orgulho de ser mulher, ter uma profissão e conseguir fazer minhas coisas de forma independente", contou Natalia Freitas, em entrevista ao UOL. 
É aí que o enredo de "Moana", que acaba de chegar aos cinemas brasileiros, ganha para ela um significado a mais. A nova personagem da Disney não é uma princesa, e sim uma adolescente aventureira que se prepara para virar líder de um povo.

"Para mim tem um sentido muito maior pela questão pessoal", explica. "Moana" é forte e corajosa e não se curva nem mesmo diante do grandalhão e convencido semideus Maui, com quem acaba desenvolvendo uma amizade, que substitui o tradicional romance das histórias de princesas.

Na animação, a brasileira trabalhou no departamento de desenvolvimento de look, criando texturas e colorindo elementos dos cenários paradisíacos que representam as ilhas da Oceania e a cultura da região. "Fiquei muito feliz em representar o nosso país e o gênero feminino".

Determinada e estimulada por sua paixão pelo desenho e por produções da Disney, Nickelodeon e Cartoon Network, Natalia entrou para a Escola de Belas Artes da UFMG em 2005, onde se formou em 2009 com bacharelado em animação tradicional.

Depois de formada, ela percebeu que teria mais estabilidade se soubesse trabalhar com 3D. Autodidata, aprendeu a técnica estudando tutoriais e vídeos no YouTube. Em 2011, Natalia conseguiu uma vaga em estúdio onde pode colocar em prática esse tipo de animação pela primeira vez, em um comercial para um cinema de BH.

No final daquele ano, ela resolveu se candidatar pela segunda vez para uma bolsa de estudos na Alemanha com uma carta intitulada "Animação também é arte". "Eu nunca tinha ouvido falar de algum animador ou cineasta que conseguiu essa bolsa de artes, que beneficia mais artistas tradicionais, como pintores, músicos ou escultores. Então na carta eu dei todo um argumento, fiz um portfólio bem caprichado e consegui a bolsa", lembra.


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