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Zezé Perrella atuou no governo de Minas e assessor preso recebeu cargo no Estado

Em 19/05/2017 às 09h13


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A relação entre os senadores Aécio Neves (PSDB) e Zezé Perrella (PMDB) é antiga. E bastante próxima. Ambos foram alvo da Polícia Federal ontem.Torcedores do Cruzeiro, são amigos e conselheiros do clube.

Aécio era governador quando sementes de arroz, milho, feijão e sorgo da Limeira Agropecuária, então administrada pelo ex-presidente do Cruzeiro, foram compradas de forma irregular pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), segundo sustenta o Ministério Público e a Controladoria Geral do Estado (CGE). Conforme os documentos, a negociação teria lesado os cofres públicos em quase R$ 19 milhões.

O esquema vigorou de 2007 a 2011, quando assumiu o Executivo o hoje senador Antonio Anastasia (PSDB). Embora administrada pelo senador, a Limeira Agropecuária está em nome do filho dele, Gustavo Perrella (PSDB), que ocupa o cargo de Secretário Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor. As sementes seriam utilizadas por produtores mineiros no programa Minas Sem Fome.

Conforme relatório da Controladoria, os pagamentos por parte do governo foram realizados em dia. Em contrapartida, não há comprovação de que os 2,5 milhões de quilos (Kg) de sementes tenham sido entregues aos municípios mineiros. De acordo com a auditoria, 138 mil produtores rurais em Minas foram prejudicados.

Em 2011, poucos meses depois de herdar a cadeira de senador de Itamar Franco, Perrella destinou R$ 3 milhões via emendas parlamentares à compra de sementes no programa Minas Sem Fome. Em 2013, as emendas parlamentares do senador garantiram mais R$ 3 milhões ao programa.
O problema é que R$ 2,4 milhões foram utilizados para comprar o produto da Limeira, beneficiando a família do senador.
A medida virou ação de investigação do Ministério Público Estadual.

Cargo

Em 2011, o senador Antonio Anastasia (PSDB) criou o cargo de vice-presidente da Epamig, nomeando o atual assessor e cunhado de Perrella, Mendherson Souza Lima.

O assessor foi preso ontem. Segundo investigação da Polícia Federal, após Frederico Pacheco, primo de Aécio Neves, receber os R$ 2 milhões que o senador pediu a Joesley Batista, dono do grupo JBS, o dinheiro foi entregue a Mendherson, que o trouxe a Belo Horizonte. O recurso foi parar na conta da empresa Tapera, de Perrella.

A Limeira é proprietária do helicóptero que foi flagrado pela polícia com 445 kg de pasta base de cocaína em 2013. A assessoria de Perrella não quis comentar o assunto. Por nota, Anastasia afirmou que "nomear e exonerar servidores, de acordo com a necessidade de cada órgão, faz parte do cotidiano da administração pública". Até o fechamento dessa edição, a assessoria de Aécio não havia respondido.


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