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Higiene oral diária ajuda a prevenir problemas dentários em cães e gatos

Hábito da escovação dental deve ser iniciado por volta dos sete meses de idade, quando os animais finalizam a troca dos dentes permanentes.

Em 06/11/2017 às 08h35


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Quem tem um animal de estimação em casa sabe o quanto é difícil fazer com que ele fique quieto na hora de escovar os dentes. Mas a higiene oral dos bichinhos só é eficiente quando realizada diariamente e ajuda a prevenir desde tártaro, cáries e placas bacterianas até doenças bucais mais graves, como a periodontite.

Os cães possuem 42 dentes na boca e os gatos 30. De acordo com a médica veterinária Lisiane Char, especialista em odontologia veterinária, tanto a escovação quanto o uso de antissépticos bucais periodicamente podem começar por volta dos sete meses de idade, quando os animais finalizam a troca dos dentes permanentes.

A escova dental deve ser escolhida de acordo com o porte do animal e ter cerdas bem macias para evitar lesões na gengiva. "Os donos podem comprar escovas de uso humano ou veterinário e dedeiras infantis", continua. Já o creme dental precisa ser de uso veterinário para que não seja prejudicial à saúde do pet, caso ele engula o produto. "Alguns cremes dentais têm ação abrasiva ou enzimática e auxiliam quimicamente na prevenção da formação da placa bacteriana".

Escova dental deve ter cerdas bem macias para evitar lesões na gengiva (Foto: Divulgação)Escova dental deve ter cerdas bem macias para evitar lesões na gengiva (Foto: Divulgação)

Escova dental deve ter cerdas bem macias para evitar lesões na gengiva (Foto: Divulgação)

O ideal é iniciar a escovação dental o quanto antes e de forma gradual para que o bichinho se acostume com a manipulação da boca mais rapidamente. "Porém, qualquer pet pode 'aprender' a rotina da escovação, mesmo que já seja mais velhinho. Depende bastante do empenho e da dedicação dos seus tutores", ressalta a especialista.

Se ainda assim não for possível escovar os dentes do animal, é necessário levá-lo ao veterinário com maior frequência para remover a placa bacteriana e o cálculo dental (tártaro). Em média, explica Lisiane, a avaliação deve ser realizada anualmente para que o dentista verifique se a higiene em casa está sendo adequada e suficiente. "Alguns pets podem precisar de avaliações mais rotineiras, principalmente os de porte menor ou os que possuem alguma doença crônica".

Principais complicações

Como os cães e gatos têm o pH da boca mais alcalino do que os humanos, a formação de tártato nos dentes é mais comum do que de cáries e pode ser evitada com a higiene diária ou removida pelo dentista. Já o tratamento da cárie varia de acordo com a lesão que ocorreu no dente.

Mas o problema dentário mais comum entre os animais é a doença periodontal ou periodontite, que se caracteriza pela inflamação e infecção dos dentes e do periodonto. Pode estar presente em diversos graus e é comum haver gengivite, cálculo dentário, retração gengival, bolsas periodontais, abcessos dentários e perda óssea.

Problema dentário mais comum entre os animais é a doença periodontal (Foto: Divulgação)Problema dentário mais comum entre os animais é a doença periodontal (Foto: Divulgação)

Problema dentário mais comum entre os animais é a doença periodontal (Foto: Divulgação)

Em alguns casos, a periodontite leva a doenças mais graves em órgãos como rim, fígado e coração. "Todo este processo se inicia com a formação da placa bacteriana no dente. Por isso ela deve ser removida na escovação para evitar que a doença progrida", esclarece a veterinária.

Alguns sinais de problemas dentários podem começar de maneira bem sutil e passar despercebidos, como coceira no focinho e sangramento gengival. Outros sintomas mais frequentemente observados são dor para se alimentar, mau hálito, salivação excessiva, rejeição de alimentos sólidos, espirros frequentes e secreção nasal. "Existem também os sintomas que não parecem ter origem dentária, mas podem ser reflexo de periodontite, como emagrecimento, febre, prostração e anemia".



Predisposição genética

Algumas raças de cães micro e toys, como yorkshire, maltês, chiuaua, pequinês, lhasa apaso, shih tzu e spitz alemão, têm maior predisposição a doença periodontal, uma vez que o espaço entre os dentes é menor e favorece o acúmulo de alimentos e bactérias na boca. Além disso, em alguns casos, os dentes de leite não caem, fazendo com que os animais fiquem com dentição dupla ou "boca de tubarão", o que pode prejudicar a dentição permanente.

Cães mais "enrugados", como cocker, sharpei e mastiff basset, frequentemente têm dermatite da dobra labial, sendo necessária uma higienização minuciosa e frequente e, algumas vezes, correção com cirurgia plástica. Já os boxers têm predisposição a hiperplasia gengival, um crescimento excessivo da gengiva, podendo até cobrir completamente os dentes menores.

Os animais braquicefálicos, principalmente buldogue e pug, frequentemente têm prolongamento de palato. Neste caso, explica Lisiane, o "céu da boca" é maior do que deveria e atrapalha a respiração. Existe também uma cirurgia corretiva que permite que o cão respire melhor e tenha menos roncos.

'Boca de tubarão' é mais comum em algumas raças de cães micro e toys (Foto: Divulgação)'Boca de tubarão' é mais comum em algumas raças de cães micro e toys (Foto: Divulgação)

'Boca de tubarão' é mais comum em algumas raças de cães micro e toys (Foto: Divulgação


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